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Educar é contar história ou estória…

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Mais uma vez me reporto ao colunista de Veja, Claudio de Moura Castro, que em sua última matéria (veja, edição 2116 de 10 de junho), discute e distingue ensinar “by the book” seguindo as correntes de pensadores, ou adequar estas correntes ao nosso cotidiano, nessa linha cita:

A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra”.

Logo, percebemos que se não contextualizarmos, estamos distanciando nossos alunos do aprender… Eu fico me lembrando da expressão dos alunos, de primeiro período, quando em sala, lá no início da minha atuação como docente - não tem tanto tempo assim… – eu iniciava “Este aqui é o micrótomo, ele é quem corta o tecido que vocês estão vendo aqui nestas lâminas”. Após algum tempo me ocorreu… Vocês sabem o que é um micrótomo? Seguia o silêncio sepulcral… Em um segundo momento, tentei “Quem aqui costuma comprar mortadela fatiada na padaria?” Continuei: “Pois é, o cortador de mortadela da padaria e o parente do Micrótomo, sendo que ele corta fatias grossas de frios e o micrótomo fatias em micrômetros de tecido” Aí escutei “Ah agira sim professor” Logo, contextualizar é preciso. Nesta linha de raciocínio busco ratificar com as colocações do colunista:

“Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada”.

E aí fico me lembrando dos meus mestres de Biologia que se esmeravam em cunhar frases, preparar paródias de músicas usando o conteúdo de Biologia e contando estórias… Com isso, o Cláudio de Moura Castro finaliza:

É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures. (…) Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos”.

Pensemos nisso para o nosso dia-a-dia em sala…

Burity

4 Respostas para “Educar é contar história ou estória…”

  1. João Garcia disse:

    Olá Professor Burity….
    …Realmente esses trechos dessa matéria dizem muito..,nós compreendemos melhor quando o professor traz o que esta sendo passado para a realidade..,alguma expedição ou saida a campo que tenha acontecido…

    .e as praticas..,são sem duvida a alma do aprendizado..
    ..
    ..gostei muito do artigo.

    João Garcia_5º periodo Campus Duque de Caxias

  2. Carlos Burity disse:

    Caro João,
    Agradeço o carinho. Sem dúvida este é o espírito doravante. Estaremos entrando de sola nas questões práticas, e os docentes estão empenhados nisto também.

    Abraços,
    Burity

  3. Leonardo Rabelo de Matos Silva disse:

    Caro Amigo,
    Muito obrigado por apresentar um texto tão brilhante, e que eu não tinha tido a oportunidade de ler…
    Continue nos brindando com idéias como estas!
    Forte abraço,
    Leonardo Rabelo

  4. Vera Telma disse:

    Caro Profº

    Muito bom trocar informações sobre este tema. Ensinar, contextualizar, exemplificar…Penso que vale “quase” tudo quando o objetivo é levar o aluno ao conhecimento pleno daquilo que se está ensinando.
    Fica mais fácil quando se consegue visualizar o conhecimento científico, que na verdade dependendo do modo como se transmite fica muito distante da realidade do nosso cotidiano, e mais distante ainda da compreensão, então resta ao aluno decorar, decorar e decorar para logo depois esquecer!
    Oxalá que todos os ditos educadores pensassem assim, e que nós alunos de licenciatura saíssemos levando junto com o nosso diploma este conceito de educação.
    Adorei a mortadela/micrótomo…`

    Abraços

    Telma

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