É de fato foi uma pergunta que me fiz ao longo do fim de semana, após ler algumas das revitas semanais tais como: Época e Veja. Veja só que relação tem a virologia com o Zoo de São Paulo, o aniversário de Darwin (12 de Fevereiro) e a dengue!!! Explico…
No Zoo de São Paulo uma veterinária, entre outros funcionários, tiveram suas carreiras ameaçadas e comprometidas nos idos de 2004 e 2005. Estes teriam sido relacionados a um suposto serial killer de mamíferos e em ordem alfabética, através do uso de um raticida, cujo o princípio ativo é o Monofluoracetato de sódio, MFA. Hoje as investigações apotam para nada mais nada memos que encefalomiocardite, virose que afeta prioritariamente mamíferos (claro que não em ordem alfabética, rsrsrs…). Parece que a justiça será feita e o caso esclarecido. Parece que a virose é considerada uma zoonose, a qual comprometria o funcionamento do Zoo???
Leia mais em:
Boletim da ANCLIVEPA, N.33 - 2004.
Tá e o Darwin… Desde 1837 quando do famoso esboço da árvore da vida, Darwin explicava a derivação de novas espécies, a extinção de outras através do “ramos” de parentesco! Aí surgiram os achados gênicos relatados no ano passado: segmentos de DNA idênticos em espécies distantes, i.e. de “ramos” distantes? Aí vai o principal suspeito deste feito - o vírus! Postula-se que o vírus inocula material genético em seres vivos distintos, podendo gerar variabilidade e oportunidades evolutivas a estes seres vivos! Daía a idéia de teia ao invés de árvore, pela complexidade das interações genéticas dos seres vivos…
Revista Época, n. 560, 09/02/09.
Ufa… Só falta a Dengue!
Será que o vírus da dengue e ou o vetor é bairrista?! Autoridades sanitárias averiguam o porquê das discrepâncias epidemiológicas da dengue na fronteira RJ/SP. Isto indica que precisamos estudar mais um pouco sobre tal virose, bem como discutir um pouco mais as políticas públicas, em se tratando de tal situação. Autoridades supõem erros nos dados epidemiológicos e iatrogenias nos disgnósticos de moléstias com quadro clínico semelhantes… Daí podemos estar superestimando os casos no RJ ou subestimando-os em SP! Vale a leitura: Revista Época n. 560, 09/02/09.
Viu, quem disse que a virologia não orbita diferentes áreas da biologia, com diferentes aspectos. Vale ou não ser virologista??
Burity
fevereiro 11th, 2009 at 20:32
Prezados colegas e estudantes, aí vai a minha primeira contribuição com o blog!
Primeiro quero declarar que foi extraordinário o trabalho realizado por Darwin e sua intuição a respeito do mecanismo da seleção natural sem ter conhecimento algum de como as características dos diferentes seres são transmitidas dos pais para os filhos, bem como isto garante a sobrevivência de uma espécie. Ele sequer conheceu as pesquisas genéticas de seu contemporâneo, Gregor Mendel. Nunca ouviu o termo gene que foi utilizado em 1905, muito menos conhecia a existência do DNA, molécula responsável pela transmissão genética, descoberto em 1953. Mas que os vírus têm alguma participação na evolução há pouca dúvida hoje. Pela possibilidade de permitir a transferências de segmentos gênicos para o organismo hospedeiro. Embora, ainda seja necessário mais estudos a respeito de como isto ocorre e como influencia o processo evolutivo.
A respeito da observação de segmentos de DNA semelhantes entre espécies bastante diferentes, mencionado no artigo em questão é importante considerar a existência de proteínas homólogas. O que são estas proteínas? São proteínas que desempenham a mesma função em tecidos ou em espécies diferentes. Estas proteínas possuem pequenas diferenças estruturais, reconhecíveis imunologicamente. Proteínas são polímeros formados por uma seqüência de dezenas ou até centenas de aminoácidos. A comparação entre as seqüências de aminoácidos destas proteínas (mesmo de espécies diferentes) revela a existência de segmentos com sequências de aminoácidos diferentes, chamados “segmentos variáveis”, e geralmente não participam diretamente da atividade biológica da proteína. Os segmentos idênticos das proteínas homólogas são chamados segmentos fixos”, têm alta homologia na seqüência de aminoácidos e são fundamentais para o funcionamento bioquímico da proteína. Os estudos evolutivos baseados na comparação entre as seqüências de aminoácidos destas proteínas, têm mostrado que elas possuem relação filogenética comprovada. A evolução molecular segue alguns dos mesmos princípios da evolução dos seres vivos; golfinhos e tubarões tem mais ou menos o mesmo formato, entretanto são animais completamente diferentes (peixes X mamíferos). Da mesma forma, duas proteínas podem exercer a mesma função, e até terem uma certa semelhança, mas não terem relação nenhuma do ponto de vista de sua origem. Resumindo, duas proteínas homólogas são proteínas cuja relação de origem foi comprovada.
Sendo assim a existência de segmentos gênicos semelhantes em espécies diferentes pode não ser resultado de uma interferência viral, mas sim da própria seleção natural, descrita por Darwin, agindo também no minúsculo universo das moléculas. Como? Preservando, mesmo em espécies diferentes, sequências de DNA que codificam aquelas sequências de aminoácios presentes nos segmentos fixos das proteínas homólogas e que indispensáveis para que a proteína desempenhe sua função. Esta abordagem baseia-se em alguns padrões gerais que têm sido observados, em nível molecular, no processo de evolução biológica27:
(a) homologia entre seqüências de aminoácidos implica em semelhança estrutural e funcional;
(b) proteínas homólogas apresentam regiões internas conservadas tanto na seqüência de aminoácidos como em segmentos de sua estrutura;
(c) as principais diferenças estruturais entre proteínas homólogas correspondem em geral aos segmentos variáveis e não estão diretamente relacionados função da proteína.
Portanto, é importante enfatizar que a conservação da estrutura espacial de proteínas homólogas não é uma propriedade intrínseca das proteínas, mas uma conseqüência da evolução, regida por restrições funcionais, ou seja: talvez resultem da seleção natural atuando também num nível molecular. Então fica a pergunta: será que Darwin de fato cometeu o erro como destacado no artigo? Ele não poderia sequer especular sobre a tal interação gênica promovida por partículas virais, uma vez que não se conhecia DNA, gene, vírus etc.
março 18th, 2009 at 0:04
muito bom comentario!
abril 7th, 2009 at 15:24
Qual o caminho certo a se tomar p/ser uma virologista?Achei muito interessante este assunto.